Apetites insaciáveis: Trump e Israel preparam roubo do século

Resumen Latinoamericano, sobre reportagem de Sputnik News

 
 
Trump agente do sionismo - Cartoon de António
 
 

A ideia do plano de paz entre Israel e a Palestina apareceu no alvorecer da presidência de Donald Trump. Apenas o presidente dos Estados Unidos e alguns de seus assessores conhecem todo o seu conteúdo.

Este plano está na mesa há muito tempo. E parece claro que não foi combinado com o lado palestino. Durante a reunião de maio de 2017 entre Trump e o líder palestino, Mahmud Abas, o último se opôs veementemente ao projeto. Entre os palestinos, há temores de que o acordo faça com que seu estado desapareça. E eles não estão exatamente entusiasmados com a ideia.

Tendo em conta as cláusulas do acordo, será extremamente difícil convencer as autoridades palestinas a assinar o documento. No lugar de argumentos convincentes, os EUA e seus aliados tentam impor sua visão ao lado palestino por meio de chantagens, confirmou o analista internacional Juan Luis González Pérez em seu comentário ao Sputnik.

O “acordo do século” também envolve a renúncia à criação de um estado palestino como tal nas fronteiras legal e internacionalmente reconhecidas, acrescentou González Pérez. Nesse sentido, é muito improvável que esse acordo venha a se concretizar.

“Um plano tão arrumado para o lado israelense nunca poderia ser aprovado por nenhum líder palestino. Se um deles cedesse às pressões e decidisse aprová-lo, ele seria imediatamente removido de sua posição para sempre. É absolutamente inaceitável e eu diria mesmo ilegal”, disse ele.

Perspectivas obscuras

Até hoje, na Casa Branca, se reconhece que o esboço do acordo tem suas desvantagens. O secretário de Estado, Mike Pompeo, reconheceu que o plano pode simplesmente ser rejeitado, de acordo com os vazamentos publicados em 2 de junho.

Se analisarmos as principais cláusulas, veremos as razões da preocupação dos palestinos. Por exemplo, espera-se que a Nova Palestina seja composta pela Faixa de Gaza e pela Cisjordânia, com exceção dos territórios das colônias judaicas que Israel tem expandido ao longo de muitos anos nesta última região.

Isso significa que os assentamentos judaicos na Cisjordânia permanecerão sob controle israelense. Em outras palavras, os assentamentos serão legalizados e se tornarão parte de Israel. O vale do rio Jordão, na fronteira com a Jordânia, permanecerá em mãos israelenses.

O futuro acordo pressupõe uma grande troca: os países árabes reconhecem Israel, enquanto Israel reconhece a Palestina. Segundo o esboço do documento, ambos os estados terão sua capital em Jerusalém. É praticamente a divisão da Cisjordânia, que dividirá os árabes dos judeus, porque alguns não poderão adquirir casas dos outros e vice-versa.

Para González Pérez, Israel realiza uma limpeza étnica em Jerusalém. E ele disse que é um estado que nunca desejou a paz com seus vizinhos, mas “ocupa tantas terras árabes quanto possível”. “A Palestina, se finalmente surgir algo digno desse nome, nunca terá controle sobre suas águas territoriais, seus céus ou suas fronteiras. Qualquer semelhança com um Estado será pura coincidência”, disse ele.

A Nova Palestina nem terá seu próprio exército. Só se supõe que gozará da sua própria força policial armada com armas leves. Israel se comprometerá a defender a Palestina de uma agressão do exterior. Mas não haverá garantia de que Israel não aproveite esta situação se surgirem tensões entre o país hebreu e a Nova Palestina. Este último será consideravelmente menor no poder do fogo. Além disso, o acordo pressupõe a entrega de armas pelo Hamas, o que o torna bastante improvável.

A Palestina não se compra

Os criadores do projeto tentam convencer a Palestina a assiná-lo recorrendo à política da vara e da cenoura. A lista inclui os EUA, a UE e os países do Golfo Pérsico.

Por um lado, os países que garantem o cumprimento do acordo fornecerão à Nova Palestina um orçamento de 30 bilhões de dólares ao longo de um período de cinco anos. Esse dinheiro irá para os projetos nacionais da Nova Palestina. Por exemplo, eles tentam “seduzir” a Palestina com um novo aeroporto que, de acordo com os dados divulgados pelo meio de comunicação Hayom de Israel, será construído em um território egípcio adjacente à Faixa de Gaza.

Além do aeroporto, fábricas e outras infraestruturas estarão localizadas na área. Eles também prometem ao país criar um porto e estradas, o que facilitará o trânsito de mercadorias. Segundo o entrevistado, o acordo implica que os palestinos vendam a Israel seus direitos inalienáveis como povo em troca dos dólares que os fiadores pagariam.

“Do ponto de vista lógico, pode-se dizer que é uma completa aberração. Só pode fazer algum sentido na mente de um presidente como Trump, que acredita que o dinheiro pode comprar tudo. A dignidade de um povo, a história, o amor pela terra não podem ser vendidos por quilos como se fossem mercadorias”, ressaltou.

Se por algum motivo, e há muitos, a Palestina se recusar a assinar o chamado acordo do século, os EUA ameaçam cortar todo o apoio financeiro. Se a Organização para a Libertação da Palestina -OLP, que controla os territórios da Cisjordânia povoadas por árabes aceitar a barganha e Hamas a rejeitar, os EUA responsabilizarão a liderança diretiva da organização e, em caso de um conflito entre o grupo e Israel, causará danos aos líderes do primeiro.

É ilustrativo que Washington não pretende aplicar medidas duras contra Israel se o país hebreu se recusar a cumprir o acordo. Washington promete apenas cortar a ajuda financeira aos israelenses. Desta forma, pode se ver claramente o contraste no relacionamento com o Hamas e com Israel.

É muito improvável que Trump tenha um plano B se o ‘roubo do século' não for finalmente realizado, disse González.

“Não é o seu estilo. É de se esperar que os estadunidenses se desfaçam proximamente de um presidente tão desrespeitoso com as regras do jogo aceitas por todos e respaldadas no direito e que o debate volte a se circunscrever no âmbito da legalidade internacional, de onde nunca deveria ter saído”, concluiu.

Fonte: Denis Lukyanov, Sputniknews.com

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

http://www.resumenlatinoamericano.org/2019/06/10/palestina-ahed-tamimi-activista-palestina-tenia-miedo-de-protestar-cuando-tenia-8-anos-ya-no-periodista-y-escritor-israeli-gideon-levy-la-muerte-en-soledad-de-una-nina-de-gaza-de-solo-5-a/



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17 de Junho 2019