1º de Maio: Dia Internacional de Luta e de Unidade contra o Capital |
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O sindicalismo reformista fez esquecer que o dia 1º de Maio foi instituído universalmente como o Dia dos Trabalhadores, para assinalar a bravura, a coragem e heroicidade dos operários norte-americanos de Chicago que, no dia 1 de Maio de 1886, deram a sua vida pela jornada das 8 horas diárias, até aí eram forçados a trabalhar 13 horas, que ousaram enfrentar a repressão, alguns foram baleados e outros mais tarde executados pela burguesia. Pergunte-se aos trabalhadores que têm incorporado, e irão incorporar as manifestações obedientes da CGTP ou da UGT no dia de hoje, como nasceu esta data e temos a certeza que menos de 10% saberão responder correctamente, ou, questione-se algum dirigente de qualquer uma das centrais sindicais se está disposto a dar a vida pela classe e temos a certeza que as respostas ainda serão em menor número. É a conciliação e o oportunismo no seu melhor. E é com esta triste realidade que o governo PS/Costa, como lídimo executante dos interesses do capital, conta para aplicar o programa de mais exploração para quem trabalha. A moção de estratégia (“Geração 20/30”) que Costa irá apresentar no próximo Congresso do partido enquadra-se nesta linha de recuperação da economia nacional (capitalista) sob o manto enganador de “combate às desigualdades, desafio demográfico, alterações climatéricas e sociedade digital”. O 1º de Maio é internacionalista, os operários não têm pátria porque a globalização capitalista torna cada vez mais homogéneas e semelhantes as suas reivindicações. No vizinho estado espanhol, entre os diversos povos e trabalhadores de diferentes nacionalidades, luta-se por reivindicações comuns. Luta-se pela defesa do sistema público de aposentações e contra os cortes nas pensões, ajustadas entre as UGT e CCOO no governo do PSOE e aprovadas durante o actual governo do PP. Luta-se contra o desemprego e o trabalho precário. Luta-se contra a denominada “Lei da Mordaça” que criminaliza a actividade política e social e a livre expressão de opinião. Luta-se pela subida do salário mínimo e da reforma social para os 1000 euros. E, em algumas nacionalidades, luta-se abertamente pela independência, o que não é contraditório, na medida em que se luta pela república e pelo socialismo e porque antes da revolução cada classe operária tem de ajustar contas com a sua burguesia. Luta-se pela igualdade entre géneros, nomeadamente salarial e fim da violência machista. Luta-se pela solidariedade entre povos, em particular com os povos do Médio Oriente e todos os que são vítimas da agressão imperialista. Reivindicações abertamente políticas e aponta-se a rua como local privilegiado de luta. Em Portugal, luta-se oficialmente para quê ou porquê? A palavra “luta” é praticamente um termo esquecido ou banalizado. Aqui as duas centrais sindicais, uma mais envergonhada do que a outra, defendem a paz social, a defesa do governo, arrepelam-se só de pensar que o governo seja demitido, estão de acordo com o Orçamento de Estado, do qual mamam algumas migalhas directamente ou através dos partidos que as patrocinam e controlam, e não irão dificultar a aplicação do dito “Programa de Estabilidade 2018/22”. Não questionam a permanência de Portugal na UE. Estão com o establishment e aplaudem o capitalismo, do qual exigem simples moralização. O local de luta (ou pretensa "luta" porque não querem outra) para esta gente, rendida às delícias da democracia burguesa saída do 25 de Abril, não são as ruas ou as fábricas e empresas, mas a estrebaria de São Bento. São reivindicações prementes as de natureza meramente economicista, como aumento do salário mínimo, não para os 600 euros, montante que já foi há muito acordado mas que os sindicalistas bem comportados se “esquecerem”, mas para os 800 euros (qualquer trabalhador tem consciência de que o mínimo para sobreviver condignamente anda mais perto dos 1000 euros que dos 800), que é a média salarial a nível nacional, com aumento geral dos salários, porque qualquer dia os 600 euros serão mais salário médio do que mínimo; ou as 35 horas semanais que foram igualmente abandonadas, quer pelas centrais sindicais, quer pelos partidos da esquerda parlamentar, porque de esquerda se limitam ao nome; ou fim da precariedade, que o governo tem vindo a adiar; e, em primeiro lugar, a revogação do código de trabalho. Abandonar estas reivindicações é nitidamente uma miserável traição a todos os trabalhadores Mas são reivindicações tão ou mais importantes as de natureza política: a saída da UE e o não pagamento da dívida soberana. A permanência na UE é aceitação das imposições de Bruxelas, é a meta da redução do défice das contas públicas, que é um expediente para impedir mais investimento na Saúde, Educação e Segurança Social, e até maior desenvolvimento económico, apesar da natureza capitalista da economia. Manter o país no Euro e na União Europeia é fazer medrar não só a dívida pública como também a dívida privada, escamoteando-se que a situação de endividamento quer de cidadãos e de empresas é resultante do facto de termos entrado na então CEE e mais tarde no Euro: dívida pública 243,6 mil milhões de euros; dívida privada (empresas e cidadãos) 514,34 mil milhões de euros. Este ano, o governo irá pagar 7.126 milhões de euros só em juros (orçamentados em OE-2018), se a taxa de juro aumentar 1%, serão mais 3.000 milhões por ano – quantias incomportáveis! Se o povo e o estado estão endividados, então, deve-se salientar que o valor dos activos detidos por estrangeiros (particulares e grandes empresas) em Portugal vai já em 544.114,6 milhões de euros. Isto significa que grande parte da riqueza existente em Portugal não é nossa, que o país perdeu soberania e que os trabalhadores e o povo estão a ser escravizados. É esta situação, que os partidos da dita “esquerda” e as centrais sindicais querem perpetuar, embora em forma suavizada, mas que tem de ser cortada quanto antes. A dívida pública é o garrote que esgana os trabalhadores e o povo português e que tem de ser igualmente desfeito. Ao contrário da conciliação sindical, o 1º de Maio é de luta, é vermelho, basta atender à sua origem. É um dia de luta para o proletariado revolucionário e de unidade para toda a classe dos operários e de outros trabalhadores também explorados. É simultaneamente classista e de frente democrática e popular. E é internacionalista, porque a solidariedade é uma exigência e uma prática – que os nossos sindicalistas amarelos abominam. As lutas que os operários e demais trabalhadores travam em outros países, nomeadamente na Europa, não podem deixar indiferentes os operários e os trabalhadores portugueses. O proletariado revolucionário aspira ao socialismo e ao comunismo. Os trabalhadores e o povo português rejeitam qualquer paz social, porque tal é aceitar a exploração e a miséria a que estão submetidos. O 1º de Maio é Dia Internacional de Luta pela Emancipação da Classe Trabalhadora. O 1º de Maio é Vermelho! |
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Os Bárbaros 01 de Maio 2018 |
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