Costa e governo PS, agentes do grande capital... que irão trazer o fascismo |
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A greve dos trabalhadores portuários – em particular dos estivadores precários do Porto de Setúbal – pela contratação colectiva, por melhores salários e condições de trabalho e contra a precariedade (mais de três quartos dos trabalhadores são precários) e a discriminação de que são vítimas os trabalhadores sindicalizados e por novas contratações, greve que é traduzida pela recusa às horas extraordinárias e que dura desde Julho e irá até ao primeiro dia de 2019, mostrou bem o verdadeiro carácter do governo PS e do seu chefe, autênticos agentes do grande capital e inimigos declarados dos trabalhadores; governo – é bom lembrar – que se vai aguentando graças ao apoio dos dois partidos, considerados pelas direita, da “esquerda radical”. No Verão passado, depois dos patrões do sector da estiva terem rasgado o acordo que tinham assinado com o SEAL (Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística), o governo, e em particular a ministra Vitorino, nada disse; com o desencadear da luta dos estivadores precários do porto de Setúbal, a ministra teve o desplante de afirmar que precários nos portos portugueses era coisa quase inexistente; perante a persistência de trabalhadores que sempre foram precários, e alguns há mais de 20 anos, numa situação de escravatura, com trabalho à jorna, lembrando o tempo do início da revolução industrial e do fascismo salazarista, então lá declarou que até estava a favor dos trabalhadores; agora, como a luta não desarma, mostrou a sua verdadeira natureza, mandou a polícia de choque carregar sobre os trabalhadores porque era o “interesse nacional” que estava em perigo. Claro que, como o governo é “socialista”, a polícia até foi bem educada, desta vez não espancou, retirou “amigavelmente” os trabalhadores para os furas greve poderem entrar à vontade. Os trabalhadores e o seu sindicato mantêm-se firmes e prometem a continuação da luta e por formas assaz mais duras. A intervenção do governo PS/Costa foi, e é, abertamente a favor dos interesses dos grandes capitalistas e do grande capital estrangeiro. Como toda agente sabe, a Autoeuropa/Volkswagen é alemã, está em Portugal para beneficiar de mão-de-obra barata e de uma série de benefícios fiscais. A Operestiva é a principal empresa a operar em Setúbal e é uma empresa de trabalho precário que pertence ao grupo turco Yildirim. E as principais empresas que utilizam o porto de Setúbal para escoamento dos seus produtos são quase todas de capital maioritariamente estrangeiro ou são grandes grupos económicos nacionais, constituídos à custa das privatizações feitas no tempo dos governos cavaquistas, como a The Navigator Company, Secil, Cimpor ou Siderurgia Nacional, que de “nacional” só tem o nome já que pertence maioritariamente à espanhola Megasa, por sua vez controlada pelo holding Bipadosa. Com a intervenção do Estado a favor dos patrões alemães e turcos, o governo PS, Costa e a Vitorino colocaram-se, aliás nunca deixaram de estar, abertamente ao lado dos inimigos dos trabalhadores. O governo PS mostra com esta atitude que não está nem nunca esteve contra o trabalho precário, ao contrário do que tem afirmado e da fé dos dois outros parceiros da coligação, cuja posição sobre este acto criminoso do governo é deveras confrangedora, no mínimo. O BE, pela voz de um dos seus dirigentes que esteve presente no momento do ataque policial, lamenta e que “o que está a acontecer é absolutamente indefensável e inacreditável”, mas só para quem acredita no governo e não deseja a destruição do sistema de exploração do homem que é o capitalismo, vulgo economia de mercado. É o espanto (aparente) de quem vê um governo que diz “lutar” contra a precariedade e agora toma o lado das empresas que vivem do trabalho à jorna e numa posição de legalidade duvidosa, já que o direito à greve é um direito inscrito na Constituição. Isto seria suficiente para o BE, caso não fosse um partido oportunista, muito semelhante ao PS, retirar o seu apoio e acabar com a geringonça. Em relação a esta questão, o PCP não difere muito do BE, considera “injustificável” a presença de elementos da PSP para travar o piquete de greve e assim permitir a entrada dos fura-greves. E a CGTP, pela pessoa de um dos dirigentes da União de Sindicatos de Setúbal, também se queixa de "intromissão policial em conflito laboral", como fosse uma situação invulgar com os governos PS, denotando esta sua posição uma mais que benevolência em relação ao actual governo. Foi o Costa, a Vitorino e o marido desta o Cabrita da Administração Interna, todo um governo PS, que mandaram a polícia contra os trabalhadores. E os dois parceiros do governo, embora estando formalmente fora, também são coniventes e responsáveis por este ataque aos trabalhadores. A única maneira de aqueles dois partidos manifestarem o seu repúdio era apresentar de imediato uma moção de censura ao governo e derrubá-lo, só que o não fazem porque o Costa os têm no bolso bem apertados pelo Orçamento de Estado de 2019. Assim se revelam quem são os traidores da classe operária e do povo trabalhador em geral. Todos o dias o governo PS dá mostras do seu amor pelo capitalismo e pelos interesses dos diferentes grupos económicos nacionais e estrangeiros que vão explorando os trabalhadores e o povo português ou sugando directamente os dinheiros e bens públicos, via Orçamento. Depois da polémica e das reservas do Costa, o governo irá ceder à máfia das touradas quanto ao IVA de um espectáculo mais que bárbaro e que há muito deveria ter sido proibido. O ministro do Ambiente Matos Fernandes, agente encartado das celuloses, aconselhou os portugueses a reduzirem a potência dos contadores para poderem usufruir do IVA de 6% na electricidade, numa aberta provocação ao cidadão, na recusa pura e simples de baixar o IVA de 23 para os 6%, mostrando que este governo está ao lado das eléctricas e do esbulho, também envolto em ilegalidades, que estas empresas praticam na maior das impunidades. O Vieira da Silva, dito ministro do “Trabalho” e de outras coisas, aquando do debate do Orçamento de Estado, não esteve com meias palavras não se coibindo de afirmar, em resposta da afirmação de deputada do PCP de que “não há trabalho digno sem emprego com direitos”, que “direitos sem emprego não é nada”, defendendo claramente os baixos salários e o trabalho precário. Não haverá nenhum ministro neste governo que não esteja declaradamente a favor dos patrões, da salvação do capitalismo nacional, da ingerência de Portugal pelo grande capital estrangeiro, seja o europeu, via Bruxelas/Alemanha, seja internacional. Neste governo não há ninguém que se aproveite, o governo PS é indubitavelmente um governo anti-povo, reaccionário, e que irá revelar sem peias a sua verdadeira face no segundo mandato, o comité de negócios do grande capital, agora há que disfarçar porque há eleições em 2019. Se o governo e o Costa estão muito preocupados com a legalidade e a manutenção da ordem pública não se percebe então porque ainda não mandaram a polícia contra os juízes; esses, sim, é que estão afazer uma greve ilegal na medida em que são um órgão de poder e nem sequer direito têm a um sindicato, para além de fazerem uma justiça de classe que reprime o trabalhador e deixa em liberdade os ladrões do povo, como mais uma vez se pode comprovar com a condenação da tralha cavaquista do BPN que, apesar de condenada a penas de prisão efectiva, continua descansadamente em liberdade. Por que é que o governo e a Assembleia da República não reformam o poder judicial, tornando os juízes como um cargo escrutinado pelo voto, obrigado a prestar contas ao povo? Por que é que os juízes não são eleitos como os deputados ou o presidente da república, os outros dois poderes de soberania da República? Porquê um poder soberano com detentores de cargo vitalício e de privilégios que mais nenhum outro detentor dos outros dois poderes possui? Por aqui se vê também a verdadeira face do estado burguês e capitalista, os ministros mudam, os deputados e o presidentes da republica passam, mas há como que uns guardiões do establishment, assim como um exército de funcionários de carreira , de militares e de polícias (que passam o tempo a pedir mais meios, será para melhor reprimir o povo!), nenhum deles sujeito ao escrutínio do voto, que se mantêm imutáveis. Por aqui se constata a falsa natureza de democracia deste estado dito “democrático e de direito”. A repressão (por enquanto branda) de que os estivadores estão a ser vítimas revela de igual modo que esta democracia é uma democracia quanto muito para os capitalistas, para o povo é a repressão quando ousa reivindicar os seus direitos mais elementares, como seja, fim dos baixos salários, da precariedade e do desemprego, isto é, fome e miséria para quem trabalha e produz. A luta dos estivadores é justa, assim como a de outros trabalhadores, por exemplo, oficiais de justiça que lutam pela revisão da carreira, melhores condições e descongelamento dos salários e mais contratações, e a dos enfermeiros. A luta dos estivadores merece o mais vivo apoio de toda a classe operária portuguesa e do povo, e mostra acima de tudo que os trabalhadores terão de trilhar um caminho para uma outra economia e outra sociedade que não o capitalismo e esta democracia de opereta, e muito menos a União Europeia, onde as mais elementares reivindicações, como seja o direito ao trabalho com direitos e à contratação colectiva, lhes são negadas, e ainda por cima por um governo que se diz socialista e que beneficia do apoio parlamentar de um BE e de um PCP. A repressão dos trabalhadores, os privilégios e a arrogância dos juízes, as prebendas e mordomias pornográficas dos deputados, os tais “representantes da Nação”, que estão ausentes mas vão picando o ponto, e não foi só o Silvano, foi o Rosa que estava em Cabo Verde, ou o Marques que estava no Porto, tudo boa gente com o dom da ubiquidade, sem que os outros partidos nem o presidente do Parlamento, a segunda figura da República, façam o que quer que seja para pôr cobro à situação, porque estão todos com o rabo preso e comem da mesma gamela, num crescente descrédito da “casa da democracia” e da dita cuja, todos estes elementos criarão, e estão já a criar, as condições para que um dia destes surja um salvador da pátria, um Bonaparte, um Bolsonaro civilizado a fim de dar arrumo à casa. Pelo andar da carroça, o Costa, o PS e os dois partidos (os Verdes não contam, são uma excrescência do PCP) da coligação virão a ser os principais responsáveis pelo regresso do fascismo, versão democracia musculada, cujos primeiros sinais já se encontram à vista. | |||||
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Os Bárbaros 23 de Novembro 2018 |
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