| O Costa, o PS e a maioria absoluta em 2019 |
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Fim da silly season com os incêndios e a vitória-de-ninguém-ter-morrido, os comboios da CP que não andam por estarem avariados e não haver ninguém capaz de os reparar, o trabalho temporário que não pára de crescer com Portugal a ganhar a medalha de bronze na Europa, Costa manda suspender a publicação da lista dos políticos que embolsam subvenções vitalícias alegando a famigerada protecção de dados, a Fenprof já diz que “se não for com este Governo, será com o seguinte” que todo o tempo será contado para a progressão na carreira para os professores em garantia de que a paz social é um dado adquirido embora disfarce com a promessa de mais “lutas” para Outubro, a conscrição terá de ser reintroduzida porque qualquer dia as forças armadas nacionais não terão efectivos e há que garantir a soberania nacional e promover o sentimento de patriotismo, dizem em coro a UE e o PCP. E o PS e o Costa deram formalmente o pontapé de saída para a tri-campanha eleitoral 2019 e o presidente/rei Marcelo a banhos no país profundo (já lembra o outro no Pulo do Lobo) dá a bênção ao facto (ele faz o mesmo desde o 1º dia que foi para Belém com vista ao 2º mandato) e despreocupa-se com a sorte do Orçamento de estado de 2019, por outro lado e discretamente vai apoiando a reorganização da direita trauliteira nas forças armadas ao condecorar o fundador da associação de comandos na véspera da sua morte, já antes o proxeneta político Sr. Lopes anunciara o partido Aliança para “enfrentar o Costa”. E o Costa é um ponto, é o mínimo que se pode dizer, com a bazófia de que em mil dias o país "mudou para melhor", o desemprego desceu, o salário mínimo aumentou, não diz que todos os outros continuam congeladas de maneira que daqui a algum tempo mais de metade dos trabalhadores estará com salário mínimo, a pobreza reduziu, perora o Costa, contraditado pela subida do número de beneficiários do RSI, aumento de investimento na saúde e na educação, o que colide com a entrega de 3 mil milhões aos tubarões do sector privado e com a não colocação de professores, com o aumento das pensões, em mísera meia dúzia de euros que não dará para beber mais uma bica por dia, e, como não poderia deixar de ser, a da “imprescindibilidade do PS” na formação de um governo “de esquerda” e “progressista” em Portugal. É para desabafar que quem lhe disse que o PS era de “esquerda”, sabendo-se onde, com que dinheiro e por quem foi fundado, enganou-o bem enganado. Ora, o Costa é esperto e sabe com que linhas se cose. O Costa quer pressionar os privados a aumentar os salários, se não fosse piada, poderíamos entender como feia provocação, porque quem devia mandar é o primeiro-ministro e se não manda é porque é mandado, aumente ele os salários de toda a função pública e obrigue ao respeito pela contratação colectiva no privado e revogue todas as alterações ao Código do Trabalho feitas sob o pretexto da crise e verá os salários dos trabalhadores do sector privado a subir. O Costa é, sim, e sabe-o bem, que para além de lacaio é um grande mentiroso O jornal do sócio nº1 do “principal partido da oposição” apresenta o nosso primeiro como querendo pressionar os patrões, vulgo “empresários”, a diminuir a desigualdade salarial dentro da empresa, indo exactamente ao encontro do defendido pela chefe do BE; a proposta deste partido é a de reduzir a diferença entre o trabalhador e o administrador (210 vezes na EDP!) e entre o homem e a mulher, ou seja mais igualdade do género e redução do leque salarial. Ora, quer os sindicatos quer o governo têm nas mãos a chave do problema que eles próprios criaram, ou ajudaram a criar, a contratação colectiva e o IRS são os instrumentos de disponibilidade imediata. Não deixa de ser caricato ver o Costa a lamentar-se de uma situação pela qual é o principal responsável. Ainda não sabemos como o governo irá inverter a situação de Portugal ser neste momento o terceiro país da União Europeia com mais trabalho temporário. A seguir à Polónia e à Espanha, Portugal é o Estado-membro da UE com maior percentagem de trabalho temporário, com 21,5%, representando uma subida de 0,9% em relação a 2002. O Costa não diz que a maior parte do emprego oferecido aos jovens é precário e mal pago. Não deixa de ser curioso e simbólico que a Segurança Social tenha contratado, durante este mês de Agosto, 44 trabalhadores em regime de prestação de serviços para tratamento de pendências no Centro Nacional de Pensões (CNP). E o processo de reforço do número de trabalhadores feito ainda através da conclusão do Programa de Regularização dos Vínculos Precários na Administração Pública (PREVPAP) irá deixar de fora muitos trabalhadores, como está a acontecer na Centro Hospitalar do Oeste, porque... não possuem habilitações académicas adequadas, coisa que ninguém terá reparado quando foram contratados. Se o estado, a exemplo do aumento dos salários, não acaba com os precários como quer obrigar os privados a fazê-lo?! Costa diz o que lhe mandam dizer, porque além de mentiroso é um cobarde*. De acordo com um estudo do Observatório sobre Crises e Alternativas, do Centro de Estudos Sociais, o número de novos contratos assinados no sector privado que sobreviveram (a diferença entre os que foram assinados menos os que cessaram por despedimento e outras razões) aumentou 23,5% (mais 243,6 mil) entre Janeiro e Outubro de 2017, no entanto, ao contrário do que sinalizam os dados do INE, os novos contratos a prazo rivalizam em número com os vínculos efectivos. Foram assinados e estão vigentes 89 532 contratos a termo contra 89 506 sem termo; só que, além destes, há 64 593 tipos de contratação que configuram outras formas precárias (termo incerto, tempo parcial e temporários); ou seja, mais de 62% dos novos contrários são precários. Será para perguntar, por exemplo em relação ao turismo, que no ano transacto atingiu os 15 mil milhões de euros de receitas, um aumento de mais de 3 mil milhões em relação ao ano de 2016, por que é que os trabalhadores do sector irão ser aumentados só 3% em média (Algarve) e grande parte dos empresários do sector está bem longe de respeitar a contratação colectiva?! O resultado dos mil dias de governo é em suma: mais pior emprego, salários mais baixos, mais pobreza e precariedade, e mais carga fiscal, ainda estaremos para ver como irá ficar o IVA da electricidade, tudo embrulhado num optimismo saloio de chico esperto a ver se leva a maioria absoluta em Outubro de 2019. Neste campo, tanto BE e PCP estão a dar uma mãozinha, e depois não se queixem. Com a silly season no fim, a miss euclipto-Cristas faz campanha em prol dos comboios, alguém se está a chegar à frente para empalmar o sector através de possível privatização no próximo governo, esquecendo que foi um dirigente do CDS de Coimbra que durante 4 anos andou a destruir a CP, que só foi substituído neste governo, beneficiando de simpático elogio pelo sucessor, e não perdendo tempo já fez contratos por ajuste directo, através de empresa da qual é sócio gerente, com a câmara rosa de Coimbra no valor de várias centenas de milhares de euros... para estudos acerca do futuro aeroporto internacional, prometido por Manuel Machado aquando das últimas eleições autárquicas. A corrupção segue de vento em popa. Com a época dos banhos quase no fim, depois de um juiz das varas criminais não ter aceitado um pedido do Ministério Público para que Duarte Lima fosse enfiado na prisão, por um recurso ainda pendente no Tribunal Constitucional, Oliveira e Costa vai gozando tranquilamente as suas férias, apesar de ter sido condenado a 14 anos de cadeia e ainda não ter devolvido um único euro dos sete mil milhões que a burla do BPN custou ao povo português. No entanto, há dois milhões de trabalhadores, considerados estatisticamente pobres, porque haverá mais, que não gozam férias, nem vivem condignamente. Assim vai o reino da Dinamarca, nesta rentrée de 2018. *Em termos políticos, claro! |
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Os Bárbaros 01 de Setembro 2018 |
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