O governo patriótico e de esquerda e a divisão do saque |
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Parece que já está decidido pelos partidos apoiantes do governo PS/Costa, os professores ficam de fora das negociações do Orçamento de Estado de 2019, assim, não haverá impedimento à sua aprovação, pode o PR Marcelo/Sidónio ficar descansado e até os chefes das centrais patronais que o quinhão do saque está assegurado. Bruxelas e FMI não se cansam de mandar recados, os tais “critérios de convergência” serão respeitados e a aplicação das 35 horas a todos os trabalhadores da administração pública e o descongelamento das carreiras incluindo professores serão para se fazerem devagar e devagarinho sem dor de molde a não “furar as previsões”. O Costa previu tudo, o PCP e o BE estão pelos ajustes e os outros dois partidos também não levantam problemas de maior, entretidos que estão a lamber as feridas internas ou a sonhar com a geringonça das direitas encostadas. Perante cenário tão consensual, perfeitamente natural que o secretário do PCP tenha dito recentemente que a geringonça terá valido a pena, e foi ainda mais longe, admitiu a possibilidade de o partido ir para o governo, a contagem do tempo dos professores não será obstáculo; reafirmou, desse modo os professores podem esperar sentados até que o tempo que reivindicam seja realmente contado (o FMI até é contra!); e será importante, diz o Jerónimo, “dar mais força ao PCP" nas próximas legislativas, porque "sempre que o PS foi governo, incluindo com maioria absoluta, não houve uma política de esquerda"; ou seja, o PS para ser de esquerda tem que ter o PCP por perto, mesmo que, no caso, se borrife para um sector importante dos trabalhadores assalariados do estado. Seguindo o raciocínio, a “resposta estrutural aos problemas do país não se faz com o governo do PS nem com a sua actual política, amarrado às opções de política de direita", mas sim, ao que se depreende, amarrado às políticas de “esquerda” do PCP e, eventualmente, do BE. Assim, mantenha-se o capitalismo mas com o PCP no governo, para a sua boa gestão, e o proletariado e demais trabalhadores permaneçam na situação de exploração, o capitalismo um dia cairá de podre! Com esta política, a burguesia nacional, já para não falar nas outras representadas por Bruxelas e FMI, esfrega as mãos de contente. Os representantes do patronato não se fizeram esperar. O Saraiva, depois de enfiar no charco a sua empresa Metalúrgica Luso-Italiana (herdado do “padrinho” Mello por um escudo) e promover o despedimento colectivo, ferrando o calote de 4,1 milhões de euros à banca, incluindo, como não podia deixar de ser, a CGD, prometendo pagar o que deve em 10 anos (o homem só goza!), vem agora reivindicar para a sua classe de parasitas a descida do IRC e o pagamento pela Segurança Social da formação profissional dos trabalhadores, que é da competência e obrigação exclusiva das empresas. E, como deve-se pisar sempre em ramo verde, o outro sicário, da CCP, vai ainda mais longe: a Segurança Social deve pagar, para além da formação profissional, também os aumentos salariais, razão avançada pelo homenzinho é o “peso dos baixos salários no sector (outro a gozar, só pode!), e um desconto de 10% na TSU. Estas medidas, segundo tal gente, devem ficar já inscritas no próximo Orçamento, mostrando a quem não quer ver que os empresários indígenas são empreendedores e de sucesso à custa dos dinheiros públicos. Não é por acaso que o Tribunal de Vila Nova de Famalicão decretou há pouco tempo a "liquidação e encerramento" da Associação Industrial do Minho, considerada completamente irrecuperável pela assembleia de credores que, por sua vez, ficaram a arder em 12 milhões de euros, sendo um dos maiores credores (vejam lá se adivinham?!)... a CGD. E é esta política que o PCP quer dar aval com a sua geringonça em upgrade “governo patriótico e de esquerda”. É esta economia falida de patrões que sobrevivem sugando o estado, daí a propaganda persistente e nauseabunda de “menos estado” (pudera!), uma classe inteira e abertamente parasitária e inútil, que o BE quer salvar. Salvar com igual participação no governo, o BE desde há muito, praticamente desde a sua criação, que sonha em vir um dia destes substituir o PS, como aconteceu na Grécia, mas por agora contenta-se em ser co-sócio, não deixando de desabafar: “Aqui estamos para todas as responsabilidades”. E mais: “o BE é um partido responsável nas suas políticas económicas” e … “está disponível para ir mais longe no apoio a um futuro governo do PS, admitindo até integrá-lo" e, como “força construtiva”, já apresentou o projecto de um imposto sobre a especulação imobiliária, já baptizado pela imprensa do regime de “taxa Robles”, à semelhança do “imposto Mortágua”, que o Costa já disse que desconhecia, embora haja prova de que a ideia terá sido apresentada à direcção do PS em Maio último; ideia que foi aliás e de imediato aproveitada pelo chefe ainda em funções do PSD. Parece que é com IRS e IRC que o BE quer combater os males do capitalismo para o tornar mais humano, esquecendo contudo que o capitalismo ou a burguesia só “dá” alguma coisa para logo e de imediato a recuperar a dobrar por qualquer meio sub-reptício. BE e PCP competem entre si quanto à autoria das medidas que terão eventualmente trazido alguma melhoria quanto aos rendimentos ou condições de vida dos trabalhadores e do povo, daí a crítica do PCP quanto ao referido imposto. O BE e o PCP irão aprovar este orçamento, e será de cruz, porque de igual modo querem beneficiar do saque da riqueza extorquida ao povo trabalhador e a sua lamúria de “há que impedir o regresso da direita ao poder” apenas ilude que a direita nunca deixou de lá estar, agora um pouco mais maquilhada. BE e PCP irão ficar na história como os idiotas úteis da política em Portugal. O governo PS/Costa anda neste momento numa autêntica fona em aprovar leis sobre a descentralização, o que mais não é, a pretexto de dar mais competências às autarquias (o tão incensado “poder local” porque mais próximo das populações), que uma forma um bocado canhestra de dar mais dinheiro e benesses aos caciques e clientelas locais com o claro e indisfarçável intuito de vir a ganhar, e de preferência com maioria absoluta, as eleições de Outubro de 2019. Como dissemos logo na altura, os incêndios iriam ser um bónus para o governo que iria distribuir uns milhões a torto e a direito a fim de comprar consciências e que haveria casas desabitadas e em ruínas que iriam ser reconstruídas como primeiras habitações (e de luxo, atendendo às muitas dezenas e até centenas de milhares de euros gastos em cada uma) se tratassem, a realidade veio dar-nos razão e confirmar que mais corrupção que no poder central só no autárquico. Ainda estamos para ver, esperamos sentados, que alguém que indevidamente reconstruiu o palheiro como moradia de primeira venha a ser preso, como aconteceu com o cidadão português, pessoa imbuída de verdadeiro empreendedorismo, que recebeu 60 mil euros enquanto se fingia de vítima do incêndio que destruiu a torre Grenfell em Londres e que, depois de descoberta a vigarice, foi condenado a três anos e dois meses de prisão. Aqui, nada se passa, como aconteceu com os milhões de euros recebidos a título de suborno por Portas e Durão Barroso, e ainda querem tornar o mandato da PGR vitalício; para monarquia basta o D. Duarte e o candidato a Sidónio. Este, assessorado por sócio de firma que presta serviço a fundos imobiliários, de que já falamos anteriormente, vetou o diploma que dava direito de preferência aos arrendatários, fazendo com que a seguradora Fidelidade já esteja a vender imóveis em bloco por 425 milhões e entre os inquilinos haja quem dê a casa por perdida e não sabendo para onde irá viver; espera-se (esperamos sentados) que o Marcelo das selfies tire uma com estes cidadãos, vítimas da especulação imobiliária e gentrificados a frio, mostrando assim a sua solidariedade, como fez em Pedrógão, por exemplo. O FMI e a vaca ruça que o superintende, também envolvida em caso de corrupção quando era ministra das Finanças em França e que não paga impostos e quando se reformar levará uma pipa de massa, preocupam-se com a pressão na despesa devido ao descongelamento das carreiras na Função Pública, nomeadamente a dos professores, e sugerem menos professores no ensino básico, mas não se afligem com os cerca de 1100 milhões de euros que o estado não recebeu devido a “erros, infracções financeiras e comparticipações irregulares”, como indica o relatório da Inspecção-geral de Finanças referente ao ano passado, e que terão beneficiado principalmente os nossos tão empreendedores empresários; nem com os milhões que o Novo Banco, resultante da falência fraudulenta do BES, continua a sugar dos cofres públicos. Como afirma a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, "destaca-se o accionamento do mecanismo de recapitalização contingente do Novo Banco", no período de Janeiro a Junho de 2018, indo pesar 1,6% no défice deste ano. Para o Costa e o PS, o que incomoda são os funcionários públicos e os professores em particular, porque constituem uma “despesa”, esquecendo-se que, o FMI parece ter esse efeito amnésico, do que foi aprovado no Parlamento em 15 de Dezembro de 2017, com os votos da bancada do PS, a garantia de “que, nas carreiras cuja progressão depende também do tempo de serviço prestado, é contado todo esse tempo para efeitos de progressão na carreira, e da correspondente valorização remuneratória”. Pelos actos, e um acto vale por mil palavras, Costa e César não passam de dois lacaios e mentirosos, já que não sofrem de qualquer demência, mas, ao que parece, para o PCP e o BE não haverá problema, porque.... viva a geringonça!, diga-se, governo patriótico e de esquerda! Entretanto, o saque segue de caminho. |
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Os Bárbaros 14 de Setembro 2018 |
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