Pobreza e lacaios |
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Mais desigualdade social e lacaios cada vez mais lacaios Portugal, segundo a imprensa do regime, será o segundo país onde o trabalho precário mais subiu na Europa. Os contratos precários terão aumentado em 1,8 pontos percentuais, entre 2008 e 2017, embora tenha havido uma redução do peso relativo do trabalho precário (contratos até 3 meses) de 0,7, entre 2011 e 2017. A realidade é que há mais de 130 mil contratos instáveis, de curta duração e com salários baixos (Eurostat). Em contrapartida, a fortuna dos multimilionários cresceu 12% em 2018, a um ritmo de 2200 milhões de euros por dia, enquanto a riqueza da metade mais pobre da população mundial (3800 milhões de pessoas) reduziu 11%, revela um relatório publicado pela Oxfam. Se o “nosso primeiro” Costa (do PS) está obcecado com a Madeira, o “nosso presidente” Marcelo está apaixonado pelo Papa; ambos em empolgante campanha eleitoral. Este ainda mais que o primeiro, apesar das eleições serem só para 2022, e tendo afirmado em 2014, quando era apenas “comentador político”, que um presidente (da República) não se deve recandidatar, no entanto, anunciou a sua recandidatura, aproveitando a bênção do Papa (não há fotografia com o homem de joelhos) e gabando-se de ter metido a cunha para a realização em Portugal da próxima reunião mundial da juventude católica (JMJ). Para quem é presidente de uma República laica, esta atitude de pura beatice e abjecta bajulação não deixa de ser abaixo de cão. O número de mortes por acidentes de trabalho em Portugal voltou a aumentar em 2019, 131 trabalhadores; ou seja, um aumento de 10% (12 óbitos) face a 2017. E apesar do número de acidentes graves ter diminuído de 382 (em 2017) para 337 (em 2018), este continua a ser um número elevado e aparentemente injustificado. Regista-se que a maioria dos acidentes de trabalho mortais acontece aos sábados, com particular incidência nas indústrias transformadoras e da construção civil. E há razões para isso: crescimento da precariedade laboral e desinvestimento das empresas na segurança, segundo os sindicatos; e as ditas “novas formas” de trabalho, segundo alguns sociólogos, que incluem o aludido trabalho precário, a intensificação do ritmo de trabalho e um contexto muito grande de rotatividade de turnos, o que, por sua vez, tem um impacto profundo na saúde e na qualidade de vida dos trabalhadores. O Costa, o primeiro do governo do PS, acolitado pelo BE e PCP/PEV, alinhou pela UE e pelos EUA na ingerência na república independente e soberana da Venezuela, à cata de alguma migalha que caia do saque do petróleo e outras riquezas do país e da sobre-exploração do seu povo. O ministro da defesa nacional já prometeu o envio de tropas e o ministro dos negócios estrangeiros afiançou que não há golpe de estado naquele país sul-americano que ousou enfrentar o imperialismo norte-americano. Posições que não deixam de ser coerentes com um governo que mantém no estrangeiro mais de 800 militares, das forças armadas e da GNR, na Republica Centro Africana, Mali, Kosovo, Iraque, Afeganistão, por exemplo, enquadradas pela Nato e em aberta operação de agressão e de pilhagem desses países. São ainda os tiques de antiga potência colonizadora que a nossa burguesia não consegue esconder e que os partidos, mesmo aqueles que se dizem de “esquerda” (a bem comportada e responsável), não se importam de levar à prática. A questão da Venezuela, em véspera de ser mergulhada num banho de sangue e no caos, à semelhança da Líbia ou da Síria, mostra que Costa e Marcelo não passam de dois serventuários e lacaios do imperialismo e do capitalismo internacional, em termos políticos, uns completos bandidos. Calcula-se que os custos da corrupção, em Portugal, se cifram nos 18,2 mil milhões de euros por ano, mais do que o orçamento anual para a Saúde, e no conjunto da UE as perdas devido à corrupção ascenderão aos 904 mil milhões de euros anuais. Não se diz, contudo, que a corrupção faz parte da alma do capitalismo, também ela é negócio, e que os 1200 milhões de euros que a CGD, o banco público, perdeu só em 46 empréstimos de risco (a exposição andará pelos 3 mil milhões de euros), onde não terão sido respeitadas as regras de concessão de crédito, também se enquadram nessas perdas; mas perdas de dinheiros públicos, dinheiros que são do povo português. Na CGD, estamos perante corrupção, roubo descarado, onde estão metidas 7 figuras gradas do PSD, 4 do PS e 2 do CDS, ou seja, de todos os partidos do arco da governação e cujo objectivo não seria somente o roubo, mas a privatização da CGD, por sua vez, outra fonte de corrupção e outro roubo. Com o beneplácito de Bruxelas. O relatório da Oxfam, atrás citado, intitulado "Bem-estar público ou lucro privado", apresentado um dia antes do início do Fórum Económico Mundial, em Davos, refere que os governos exacerbam a desigualdade "ao não fornecer aos serviços públicos, como educação e saúde, o financiamento necessário, ao conceder benefícios fiscais às grandes corporações e aos ricos e ao não coibir a evasão fiscal". Caso "o 1% dos mais ricos pagasse apenas 0,5% a mais de impostos sobre a sua riqueza, poderia ser angariado mais dinheiro do que o necessário para escolarizar 262 milhões de crianças que agora não têm acesso à educação e fornecer assistência médica para salvar a vida de 3,3 milhões de pessoas". De um ponto de vista capitalista, o combate à pobreza não se faz não por uma questão de não crescimento da economia, como o Costa quer fazer acreditar ao não querer considerar as reivindicações dos professores ou dos enfermeiros, mas por uma questão de distribuição. Só que a distribuição, na lógica do capitalismo, é sempre uma lógica de desigualdade, com o maior quinhão para o capital – a concentração capitalista não pode cessar senão o sistema implode – e a migalha para o trabalhador, no mínimo estrito para a sobrevivência e reprodução do trabalho. Segundo a Oxfam, "em alguns países, como o Brasil (Portugal não é muito diferente), os 10% mais pobres da população pagam uma percentagem maior de impostos sobre os seus rendimentos do que os 10% mais ricos". Na América Latina e nas Caraíbas – o quintal das traseiras dos EUA e que se quer sob o mais completo controlo –, enquanto a riqueza dos multimilionários aumentou, a pobreza extrema continuou a crescer, alcançando o seu nível mais alto desde 2008 e afectando 62 milhões de pessoas, representando 10,2% da população. No global, “os 10% dos mais ricos pagam apenas 4,8% dos impostos sobre o seu rendimento, e deveriam pagar em média 28%", não sendo por acaso que a burguesia rentista nacional tenha assumido como seu o projecto da União Europeia, e aceitado o tratado de Lisboa, porque vale mais pagar 8% de impostos na Holanda do que os 28% em Portugal, que o diga a família Azevedo ou a família Soares dos Santos. Enquanto Costa se ajoelha perante o imperialismo americano e europeu (Alemanha/França) e a arrogância castelhana (Pedro Sánchez não foi eleito e Espanha pensa que a Venezuela ainda é colónia), os trabalhadores portugueses mantêm a luta. Os enfermeiros estão em greve e presentemente são ameaçadas com a requisição civil, uma a atitude cobarde do Costa, e, ao que parece, não merece o repúdio dos dois partidos apoiantes do governo. Mas os enfermeiros, como os professores e outros trabalhadores da função pública, saberão dar a devida resposta e persistirão na luta até a completa satisfação das suas reivindicações, apesar de todas as cobardias e manipulações de quem diz representá-los. A arrogância do Costa é notória, pensa que as eleições legislativas são favas contadas, mas talvez as coisas não corram tão bem como as sondagens dão a entender. Até Outubro mais lutas despontarão e a aventura na Venezuela poderá ser um atoleiro que venha ditar a breve trecho o fim político daquele que alguém já denominou de “Monhé”, com o alarido de indignação anti-racista de muita boa gente, mas que dentro das fileiras dos políticos da burguesia será sempre um monhé da política, facilmente descartável no virar da primeira esquina da luta de classes. | |||||
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Os Bárbaros 01 de Fevereiro 2019 |
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