PS agente do grande capital ou o grande amor do Costa |
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A União Europeia, tão incensada por cá, é uma Europa cada vez mais desigual, como fica demonstrado pelos números insuspeitos da realidade económica, para além do comprovado pela vivencia do dia a dia de cada cidadão. A Alemanha é o país que mais tem beneficiado desde 1999 com a existência da UE e, nomeadamente, com a entrada do euro (o marco com outra denominação), ficou-se a saber que cada habitante alemão ganhou 23 116 euros, enquanto que em Portugal cada português perdeu 40 604 euros. Pior que Portugal foi a Itália, cada italiano perdeu 75 605 euros, e a França, cada francês perdeu 55 996 euros. Assim, entre 1999 e 2017, o impacto do euro na economia portuguesa foi de menos 424 mil milhões de euros, enquanto a Alemanha ganhou mais de 1 893 biliões de euros (ou 1,8 triliões de euros). Claro que, mal estes números foram conhecidos, houve logo quem apontou o dedo dizendo que “as conclusões são enganadoras”. Reacção natural da Comissão Europeia ao estudo do "think-tank" alemão Centre for European Policycom, com o objectivo de continuar, ela sim, a enganar a opinião pública e encobrir a realidade que é o saque dos povos da Europa pela burguesia e bancos alemães. Recentemente, o Ministro da Economia da Alemanha anunciou a criação de um fundo público que vai adquirir capital de empresas estratégicas alemãs, para impedir que sejam compradas por grupos económicos chineses, numa clara política de proteccionismo, o que nos faz sorrir quando o Costa declara que é contra o proteccionismo. Será uma política que é contra tudo o que a UE tem defendido e imposta a Portugal, onde já é difícil encontrar uma empresa estratégica em mãos de capitais portugueses. Intenção que faz sentido já que a Alemanha sente que terá dificuldade em enfrentar a concorrência da China ou até de uns EUA, apesar de este se dizer amigo. Esta preocupação com a capacidade competitiva da indústria alemã foi despoletada pelo facto da Direcção Geral da Concorrência da Comissão Europeia ter chumbado o projecto germano-francês de fusão das empresas ferroviárias Siemens (alemã) e Alstom (francesa), anunciado em 2017, com o objectivo de criar um gigante europeu na ferrovia, capaz de concorrer com a chinesa CRRC e a canadiana Bombardier. A atitude daquele organismo levou de imediato a reacções intempestivas por parte de Joe Kaeser, presidente executivo da Siemens, que já apelidara os técnicos da Comissão de “tecnocratas retrógrados”, e se apressou a pedir uma “reestruturação urgente” da política industrial europeia, à semelhança de Peter Altmaier, ministro da Economia alemão, e do ministro das Finanças francês, Bruno Le Maire, que considerou "obsoletas" as regras europeias e criticou o "erro político” da Comissão. Por cá, Costa reafirma que o "PS é o partido que melhor defende a Europa, porque é quem mais a ama" e defende que o percurso seguido pelo Governo é classificado como "um exemplo" na União Europeia. O Exemplo do bom lacaio que não hesitou em reprimir a greve dos estivadores do Porto de Setúbal a mando dos patrões alemães da Volkswagen que, como se ficou a saber posteriormente, não ficaram satisfeitos com a falta de celeridade na resolução dos problemas que levaram à greve, e exigindo agora “estabilidade”, governativa e social, para não comprometer o investimento feito em Portugal. E o espírito de lambe botas não tem limites com o ministro da Economia a querer responsabilizar os trabalhadores do Porto de Setúbal pela diminuição do PIB, em relação às expectativas do governo, de 2%. A economia capitalista portuguesa (eufemisticamente, “ Portugal”) cresceu menos devido ao “comportamento das exportações no final do ano”, o PIB aumentou 2,1% em 2018, inclusivamente menos 0,7 pontos percentuais do que em 2017. E a culpa é dos trabalhadores... porque não se deixaram explorar. A ser verdade, é prova mais do que cabal que um pequeno número de trabalhadores firmemente dispostos a lutar consegue muito, faz tremer a economia dos patrões, e revela que a economia dita “nacional” mais não é que um prolongamento da economia capitalista alemã, ou seja, a burguesia nacional mais não passa de uma burguesia rentista e subsidiária e o governo um agente de negócios do grande capital europeu. E mais ainda, o capitalismo encontra-se em recessão, a crise não acabou, entrou somente em letargia para despertar em breve e com mais acutilância. Se, por um lado, a Alemanha é indubitavelmente a potência hegemónica na União Europeia, foi o país que mais ganhou com a concepção da criatura, é o IV Reich disfarçado sob o manto pouco diáfono do euro e o directório bicéfalo Alemanha/França mais não é que um casamento de aparência, onde um dos parceiros é constantemente enganado pelo outro. A clausula secreta à margem do Tratado de Aachen é vantajosa para a Alemanha, já que prevê a não existência de oposição à venda de armas produzidas conjuntamente, salvo por motivos de segurança nacional, podendo a França prosseguir as suas exportações, por exemplo, para a Arábia Saudita, o que não é permitido à Alemanha por ter sido derrotada na Segunda Guerra Mundial, sendo os lucros divididos entre os dois Estados. Ou o facto de a França e a Alemanha, que devem assumir a presidência do Conselho de Segurança, respectivamente em Março e Abril, acabarem de anunciar que irão exercer em conjunto o seu mandato, pensando já unificar as suas sedes na ONU, o que significa que a política externa dos dois Estados já não será livre e independente uma da outra, será a mesma, com predominância inevitável da potência economicamente mais forte e sem ouvir as opiniões dos restantes estados membros da União. A Alemanha afirma-se externamente como a potência hegemónica, os restantes estados da UE não passam de subalternos ou protectorados. Pelo outro lado, e por cá, o Costa vai dando muitos milhões de mão beijada à burguesia indígena, como ficou bem atestado pela atribuição da “maior obra ferroviária dos últimos 100 anos” (assim foi classificada pelo Governo a ligação ferroviária do porto de Sines à fronteira de Elvas) a empresas acusadas e até condenadas por roubarem o Estado. A Infraestruturas de Portugal foi lesada em milhares de euros, mas após a acusação já entregou quase dois milhões em empreitadas por ajuste directo a cinco empresas, a saber, Somague, Mota-Engil, Comsa, Vossloh e Teixeira Duarte, acusadas pela Autoridade da Concorrência de terem combinado apresentar propostas com valores acima do limite, em 2014 e 2015, durante um concurso público para a manutenção da ferrovia, e de, noutro concurso, as mesmas empresas terem repartido os lotes entre si para que ninguém fosse excluído, ou seja, um verdadeiro cambalacho. E há um secretário de Estado, João Galamba, um ex-blogger que não tem feito outra coisa senão fazer pela vida, a pedir aos cidadãos da Guarda para recompensarem os investimentos da EDP na região consumindo mais energia: “Continuem a consumir. Consumam mais.” Com certeza que o homem, quando sair do governo e se deixar da política, terá garantido um bom emprego na eléctrica chinesa. São assim os dirigentes do PS, gente corrupta que ao mesmo tempo que vão tratando da vidinha aviam os recados aos capitalistas, tratando-lhes bem dos negócios. O PS não passa de uma corja, Tanto lá fora como cá dentro. E, ainda por cá, o Conselho de Estado reuniu-se esta sexta-feira com a directora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, numa manifestação de puro e abjecto servilismo. FMI, organismo de contornos mafiosos cujo objectivo é espoliar os povos e os estados através da dívida soberana, e abrir os mercados nacionais à exploração por parte dos grandes grupos económicos. Lagarde, figura pouco recomendável, que foi condenada, em 2016, pela Justiça francesa, por negligência em desvio de dinheiros públicos; convite feito à semelhança de outros poucos recomendáveis, Mario Draghi ou Jean Claude Juncker, pelo PR Marcelo. Presidente que não é de todos os portugueses, mas somente daqueles a quem faz o frete: a bajulação à máfia que (des)governa o estado de Angola já fez com que a Mota-Engil – a empresa que dá emprego a ex-governantes, Jorge Coelho (que já agradeceu a Marcelo, na TVI, apoiando-o como Presidente), o seu primo Paulo Portas, o seu colega de televisão Lobo Xavier, mas também Valente de Oliveira, Seixas da Costa ou até o filho de António Guterres – tenha já obtido uma carteira de obras em Angola no valor de 800 milhões de euros. PS/Costa e PR Marcelo são fracos perante a burguesia, alemã, angolana, nacional, qualquer uma que dê suborno, mas fortes (aparentemente) com os trabalhadores, com os enfermeiros que levaram com a requisição civil em cima, com os estivadores que foram reprimidos (civilizadamente) pela polícia, com os professores que já foram ameaçados pelo PR a aceitar a proposta do governo ou então não terão nada. A múmia acordou mais uma vez para dizer o óbvio, que PCP e Bloco de Esquerda (entre outras forças políticas europeias) têm vindo a esmorecer nas exigências de saída do euro, devido ao exemplo do "Brexit". O Silva de Boliqueime não deixa de acusar aqueles partidos de estarem feitos com o Governo e o Costa na política interna, que mais não é que a imposição feita por Bruxelas de todo o plano económico de que beneficia a Alemanha – o tratado orçamental imposto por Bruxelas é também aceite pelo PCP e BE. É contraditório, num lado, estar contra e, no outro, estar a favor. O PCP, em particular, manifesta-se nas ruas, através dos sindicatos que controla fomenta greves, embora greves fofinhas para não incomodar mas que podem fugir ao controlo, mas no Parlamento aprova os Orçamentos de Estado, que definem o roubo a que o povo português é submetido, desde apoios aos bancos (o Banco Novo vai receber do governo/fundo de resolução mais 1149 milhões de euros) e milhões para as concessionárias das PPP's à sub-orçamentação para a Saúde e para a Educação e diversos sacos azuis sem fundo. O PCP continua a dar apoio ao governo PS/Costa que reconheceu o palhaço de Trump a fim de executar o golpe de estado para derrube do presidente legítimo da Venezuela, enquanto o seu congénere espanhol (PCE) não teve dúvidas em cortar relações com o governo do PSOE pela sua “actitud injerencista en la soberanía nacional de un país hermano y un abierto desprecio al derecho internacional, motivo por el cual el PCE suspende cualquier apoyo o colaboración con el Gobierno de Pedro Sánchez hasta que este no vuelva a la senda del respeto a la legalidad internacional”. Quem apoia um governo subserviente e lacaio do imperialismo e do capitalismo internacional não o é menos – tanto é ladrão quem vai à horta como quem fica à porta! O mesmo ditado se aplica ao apoio dado pelo PCP e BE ao governo PS, quando o Costa ensaia a ilegalização da greve na Função Pública com o decretar da requisição civil contra os enfermeiros, contando com o apoio do Supremo Tribunal Administrativo a fim de levar o ataque a bom termo, ficando claro que essa história da separação de poderes dentro do tal “estado de democrático e de direito” não passa de treta, e ao mesmo tempo se mostra inflexível no reconhecimento do tempo aos professores, contando aqui com a prestimosa colaboração da Fenprof/CGTP, com as suas romarias inócuas, com o objectivo não exactamente de não abrir os cordões à bolsa, mas fundamentalmente de domesticar os trabalhadores, mostrar que não vale a pena lutar, e provar, mais uma vez, aos patrões e a Bruxelas, que o PS ainda é assim o melhor instrumento para a contenção do descontentamento e da revolta social. O PS, como a social-democracia em geral, tem como missão histórica reprimir o movimento operário e popular e preparar o caminho para a vinda do fascismo, ou seja, a entrada directa e brutal em cena do grande capital. A Alemanha e o FMI/EUA agradecem. O PCP e o BE ajudam à festa – ficam por enquanto à porta, porque a vontade é também de entrar. | |||||
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Os Bárbaros 02 de Março 2019 |
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